Já reparou como as empresas estão crescendo cada vez mais rápido na atualidade? Segundo Arthur Igreja, cofundador e sócio da AAA, isso está acontecendo, “pois elas estão encontrando brechas onde as outras não estão vendo”.

De fato, não está difícil encontrar companhias que, em menos de três anos (ou em até menos tempo) escalam, tracionam e chegam ao seu primeiro bilhão. Essas são as chamadas “organizações exponenciais”.

“Em 2009, tínhamos apenas 1 unicórnio no mundo. Nos últimos 18 meses, surgiram pelo menos 185 unicórnios novos”, analisa Arthur.

É evidente que existe um panorama favorável para a fixação de um crescimento tão acelerado nos mais diversos modelos de negócios, em especial na economia da recorrência.

Foi justamente para abordar as estratégias que estão ditando as regras de aceleração da escalagem que Arthur Igreja falou durante sua palestra “Organizações exponenciais: acelerando seu modelo de negócios”, no Superlógica Xperience 2018.

Se você perdeu, assista a palestra na íntegra. Acesse aqui:

A seguir, vamos apresentar alguns tópicos essenciais do encontro. Assim, você vai conhecer o que as organizações exponenciais têm em comum. Continue lendo!

Onde estão as organizações exponenciais?

Ok. Crescer rápido é uma realidade factível hoje. Mas, o que faz um negócio ter um potencial de relevância tão grande para o dia a dias das pessoas?

Para responder a essa pergunta, Artur começou citando um caso de organização exponencial já é bem conhecido: a Uber.

É fato que a empresa modificou o mercado de táxis no mundo apresentando um modelo super produtivo. Hoje, ela detém 25% de todas as corridas por meio do aplicativo.

Até aqui, ela já figura no hall que a classifica como uma organização exponencial, entretanto, ela sabe que, para manter o ritmo de crescimento, é preciso ir além. Afinal, em algum momento, alguém irá começar a monetizar os 75% restantes do mercado. Uma ameaça que a Uber, definitivamente, não quer correr.

E como isso seria possível?

Segundo Arthur, a Uber está expandindo seu potencial de crescimento de duas formas:

  • Ingressando no mercado de veículos autônomos;
  • Apostando na popularização do transporte aéreo de pessoas feito por drones (pode parecer futurista, mas isso já está acontecendo hoje mesmo. A expectativa é que essa modalidade alcance o mesmo nível de tarifas do Uber Select nos próximos cinco anos!)

Como vimos, a premissa, portanto, de uma organização exponencial é ganhar desde cedo o espaço e a escala em um mercado promissor.

Uma organização exponencial não se define por sua própria tecnologia

Assim como em qualquer jogo, as regras do mercado podem mudar a qualquer momento, certo?  

Segundo Arthur, a “adaptação é uma das principais características das organizações exponenciais”. As empresas que querem se manter no mercado por um longo período de tempo precisam, portanto, entender que é preciso monitorar as tecnologias emergentes.

“A tecnologia é uma facilitadora para impulsionar um negócio. Uma empresa não pode se definir por ela”, comenta. Como exemplo, Arthur citou a Microsoft e a IBM, que sabem que construir um negócio estável, não significa necessariamente a duração do sucesso por muito tempo.

Um dos erros cometidos por muitas empresas nesse caminho, de acordo com ele, é a falta de entendimento sobre qual é o valor de sua entrega.

Ele usou o exemplo da empresa americana Pennsylvania Railroad, que na década de 1940, era a responsável por transportar, via ferrovia, 44% da população do estado de Nova York, mas, mesmo com tanta expressividade, faliu. “O grande erro foi que ela se definia como uma empresa de trens, mas o negócio dela era oferecer o transporte do ponto A ao ponto B”, explicou.

A falência da empresa culminou quando uma tecnologia exponencial chamada “carro” surgiu e se popularizou. “Em 1 ano, eram 8 mil veículos. Em 7 anos, esse número passou a 8 milhões. Ou seja, a Pennsylvania Railroad se definiu pela tecnologia e passou a não entregar valor com o serviço”, observou.

Então, como causar uma disrupção no mercado?

Segundo Arthur, a melhor forma de estabelecer um novo modelo é “quebrando” o que ele chamou de “chavões” estabelecidos há muitos anos.

Para ele, o mundo está procurando hoje experiências que se ajustem a uma determinada necessidade e que coloque o usuário nesse centro.

Vamos pensar no mercado de seguros automotivos. Algumas características comuns são:

  • Os contratos são anuais;
  • Os preços entre todas as seguradoras são semelhantes;
  • Para adquirir um seguro, é necessário acionar um corretor;
  • A apólice pertence ao carro e não ao cliente.

É possível “quebrar” toda essa sequência lógica? Sim!

Arthur citou o caso da Metromile, uma startup de seguros de automóveis com sede em San Francisco (EUA), que oferece seguros automotivos de uma forma diferenciada.

O serviço dela é baseado no funcionamento do celular com GPS, giroscópio e acelerômetro, quem garantem que o cliente será cobrado sobre o uso real do serviço.

Funciona assim: ao entrar em um carro, o motorista liga o aplicativo e aciona o seguro. A partir disso, o seguro começa a ser calculado em uma espécie de taxímetro. Se o motorista está abaixo da velocidade, o risco de sinistro é baixo e, consequentemente, a taxa do seguro também será. Se está acima da velocidade, o risco é grande e a taxa a ser cobrada aumenta.

Quando o cliente desliga o carro, “desliga” também o seguro.

“Não é mais necessário fazer contratos de um ano, o preço varia conforme o uso, não precisa de corretor e a apólice passa a ser sua”, comenta Arthur.

Parece que a Metromile, realmente, “quebrou” todos os chavões do mercado, não é mesmo?

Aqui no Brasil também temos exemplos de empresas que dão uma aula em apresentar um jeito novo de atuar. Arthur lembrou o motivo do sucesso da empresa Nubank. “Aparentemente, não existe nada de inovador em oferecer um cartão de crédito. O que a Nubank fez não foi criar um serviço novo e, sim, trazer uma experiência mais agradável para um serviço antigo”, comentou.

Relacionamento sempre em primeiro lugar

E quando uma empresa tem uma importância tão significativa que ninguém se lembra do seu concorrente?

Sonho? Não! Realidade. Você sabe quem é o concorrente do Google ou, ao menos, fez alguma pesquisa em outro buscador nos últimos meses? As respostas afirmativas serão raras, conforme analisa Arthur.

“Não é o tipo de companhia que a gente quer? O Google é a melhor empresa de relacionamento do mundo. Isso por que eles acompanham o usuário aonde eles vão com o Maps. Sabem onde eles irão com o Calendar, e por aí vai”.

“As empresas exponenciais estão próximas de seus usuários. Não adianta falar com o cliente somente quando há um cancelamento”.

A inteligência artificial

Este item também é um atributo básico de uma organização exponencial. “A tendência é que a inteligência artificial torne os setores das empresas mais enxutos. Não será preciso formar exércitos de pessoas e, sim, compor times cheios de atiradores de elites”, define.

Essa mudança ampliará o potencial dos negócios muito mais rápido que hoje em dia. “Veremos isso acontecer, principalmente, nas atividades de relacionamento não durável, como atendimentos simples. Para esses postos, a experiência passará a ser digitalizada”, avalia.

Afinal, quanto vale o tempo do seu cliente?

A partir disso, as organizações exponenciais irão construir times com diversas mentalidades. “Não adianta ter apenas gente de inovação dentro da sua equipe. É importante ter gente mais experiente que consiga entender os negócios”, atentou. “E, por experiência, não quero dizer idade. Experiência vem de experimentar, errar e conseguir de novo”.

A atitude é o que define o seu ganho de escala

Mas, mesmo em um mundo digital em crescimento, o fator humano ainda irá prevalecer quando o assunto for o sucesso da estratégia das corporações. As organizações, com predisposição para serem exponenciais, deverão encontrar nessa medida o ponto de partida para a sua expansão, de acordo com Arthur.

“A atitude humana é a mais essencial na equação da multiplicação do crescimento. Ela é que fará as perguntas, que perceberá as tecnologias emergentes e fará a disrupção em mercados”, comenta.

“Você pode ter o conhecimento, pode ter tudo, mas vai depender de você fazer isso funcionar”, finaliza.